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A Nossa História

Há mais de três décadas ao lado das vítimas de crime e de violência em Portugal. Conheça o contexto em que nascemos, os marcos que nos definem e a forma como evoluímos.

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Contexto Histórico

Na relação entre o Estado, o Infrator e a Vítima, a vítima de crime tem sido quem está na posição mais fragilizada. Muito embora o Código Penal, o Código de Processo Penal e a legislação penal avulsa conferissem à vítima um estatuto e direitos ímpares nos sistemas jurídicos comparados, não existia em Portugal qualquer organização para apoiar uma vítima de crime e os seus familiares e/ou pessoas amigas.

No início dos anos 80, alguns países começaram a debater a problemática da vítima de crime nas suas diferentes vertentes — o lugar da vítima no Direito Penal vigente em cada país, a organização das associações e serviços que prestavam apoio à vítima, as questões éticas que inevitavelmente se colocam, entre outras.

As realidades jurídicas são obviamente diferentes de país para país, e as opções em termos de serviços públicos ou associações privadas diferem também, mas as questões éticas e deontológicas na prestação de serviços aos cidadãos vítimas de crime são convergentes, e assentam em alguns pilares fundamentais:

  • O apoio à vítima de crime é ação necessária e fundamental para o equilíbrio da comunidade e para a pacificação social;
  • cada vítima deve ser tratada de forma individualizada, já que a sua reação ao crime e posterior recuperação é muito variável e pessoal;
  • Os serviços devem ser gratuitos;
  • O acesso aos serviços e a qualidade de resposta deve pautar-se pelo princípio da igualdade, não havendo lugar para qualquer forma de discriminação.

Com base nestes princípios estruturantes, diversas organizações internacionais têm produzido importantes instrumentos jurídicos, que vêm progressivamente contribuindo para a cristalização de um conjunto de direitos fundamentais da vítima de crime.

A 29 de novembro de 1985, a Assembleia Geral da ONU adotou por unanimidade, na sua 96.ª Sessão Plenária, a Resolução 40/34 e anexos:

Declaração dos Princípios Fundamentais de Justiça relativos às Vítimas de Crimes e de Abuso de Poder (abre numa nova janela)PDF

Seguiram-se as Resoluções do Conselho Económico e Social, relativas à sua aplicação:

O Conselho da Europa adotou durante a década de 80 várias Recomendações — nomeadamente, sobre o estatuto da vítima na lei penal e processual penal e sobre a assistência às vítimas e a prevenção da vitimação — e tem produzido diversos documentos sobre o estatuto da vítima de crime.

No âmbito do Conselho da Europa foram celebradas as seguintes convenções entre os Estados Membros:

Para mais informações consulte: Gabinete de Documentação e Direito Comparado da Procuradoria-Geral da República (abre numa nova janela).

É num contexto de crescente tomada de consciência dos direitos da vítima de crime e visando colmatar a inexistência de qualquer estrutura de apoio a esta nos referidos moldes que, por iniciativa de um grupo de 27 Associados Fundadores (abre numa nova janela), nasce em 25 de junho de 1990, por escritura pública de constituição (abre numa nova janela), a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

02

Linha do Tempo

  1. 1989
    • 13 de julho1.º encontro dos Associados Fundadores da APAV
    • 11 de dezembro2.º encontro dos Associados fundadores da APAV
  2. 1990
    • 4 de abrilInício das reuniões da Comissão Instaladora
    • 25 de junhoEscritura pública de constituição da APAV
    • SetembroInício do atendimento de vítimas de crime
  3. 1992
    • 20 de marçoAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima do Porto
  4. 1993
    • 21 de janeiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Braga
  5. 1994
    • 28 de abrilAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Coimbra
    • 4 de julhoEleição dos Órgãos Sociais para o período 1994-1997
    • 23 de setembroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Cascais
  6. 1995
    • 8 a 10 de junho9.ª Conferência e Assembleia Geral do European Forum for Victim Services, realizadas em Lisboa
  7. 1996
    • outubroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Vila Real
    • novembroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Setúbal
  8. 1997
    • fevereiroLançamento do site www.apav.pt
    • 4 de fevereiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Loures (posteriormente Odivelas/Loures, encerrado em maio de 2004)
    • 10 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 1998-2000
  9. 1998
    • 22 de fevereiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Faro
    • 10 de marçoProtocolo com os Ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Trabalho e da Solidariedade – 1998-2002
    • novembro de 1998– novembro de 1999Projeto ALCIPE – Formação e informação no combate à violência exercida contra as mulheres
    • 12 e 13 de dezembro de 19981.º Encontro Nacional de Gestores e Voluntários
  10. 1999
    • 21 e 22 de maio de 19991.º Conselho Consultivo de Gestores dos Gabinetes de Apoio à Vítima
    • agosto de 1999Lançamento do boletim informativo APAV Notícias
    • 25 de novembro de 1999Lançamento do número único da APAV (707 20 00 77)
  11. 2000
    • 22 de fevereiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Tavira
    • dezembro de 2000Abertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Portimão
    • 18 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2001-2003
  12. 2001
    • 28 de marçoTomada de posse dos Órgãos Sociais para o triénio 2001-2003
    • 16 de outubroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Albufeira
  13. 2002
    • Acreditação da APAV enquanto entidade formadora
    • 10 de dezembroEntrega do Prémio Direitos Humanos da Assembleia da República à APAV
    • 10 de dezembroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Loulé
  14. 2003
    • Criação do Centro de Formação da APAV
    • Início do funcionamento da Casa de Abrigo SOPHIA
    • 12 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2004 – 2006
  15. 2004
    • 22 de fevereiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Ponta Delgada
    • 2 de maio1.ª Corrida de Solidariedade Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna / APAV
  16. 2005
    • 1 de maioInício de funcionamento da UAVIDRE – Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e de Discriminação Racial ou Étnica (atualmente APAV SAFE – Apoio a Vítimas Estrangeiras, de Crimes de Ódio e de Tráfico e Exploração de Pessoas)
    • setembro de 2005Reabertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Odivelas
    • 19 de dezembroProtocolo com os Ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Trabalho e da Solidariedade Social – 2005-2007
  17. 2006
    • Transferência da Sede e do Gabinete de Apoio à Vítima de Lisboa para novas instalações, situadas na Rua José Estêvão
    • setembro de 2006Início do funcionamento da Casa de Abrigo ALCIPE
    • 14 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2007-2009
  18. 2007
    • 1 de fevereiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém
    • setembroInício do funcionamento da APAV Açores - Comissão Regional dos Açores da APAV
  19. 2008
    • 7 de NovembroAssinatura do Acordo de Colaboração entre a DomusSocial e a APAV para a cedência de espaço para a instalação dos Serviços de Sede no Porto.
  20. 2009
    • 24 de julhoProtocolo com a Presidência do Conselho de Ministros, o Ministério da Administração Interna, o Ministério da Justiça, o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e o Ministério da Saúde – 2009-2011
    • 14 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2010-2012
  21. 2011
    • abril de 2011Lançamento da newsletter eletrónica APAV_notícias
  22. 2012
    • Mudança da Casa de Abrigo SOPHIA para novas instalações
    • 12 de outubroTomada de posse da Presidente da Direção da APAV, Joana Marques Vidal, como Procuradora-Geral da República
    • 14 de outubroRenúncia de Joana Marques Vidal ao cargo de Presidente da Direção da APAV. João Lázaro, até então Vice-Presidente da Direção, assume a Presidência
    • 27 de novembroProtocolo com a Presidência do Conselho de Ministros, o Ministério da AdministraçãoInterna, o Ministério da Justiça, o Ministério da Saúde e o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social – 2012-2015
    • 14 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2013-2015
  23. 2013
    • janeiro de 2013
    • Início da atividade da RAFAVH - Rede de Apoio a Familiares e Amigos de Vítimas de Homicídio (atualmente APAV HOPE - Apoio a Vítimas de Homicídio, de Terrorismo e de Vitimação em Massa)
  24. 2014
    • 2 de marçoInício do funcionamento do Centro de Acolhimento e Proteção SUL para mulheres vítimas de tráfico de seres humanos e suas crianças
    • novembro de 2014Atribuição do número 116 006 e início de funcionamento como Linha de Apoio à Vítima
  25. 2015
    • 10 de junhoAtribuição da Ordem da Liberdade à APAV pelo Presidente da República
    • 6 de maioProtocolo de Cooperação com Presidência do Conselho de Ministros, Ministério da Administração Interna, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde e Ministério da Solidariedade e da Segurança Social – 2015-2018
    • 10 de novembroEleição de João Lázaro, Presidente da APAV, para a presidência do Victim Support Europe
    • 9 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2016-2019
    • 9 de dezembroPrimeira edição do Prémio APAV para a Investigação
  26. 2016
    • janeiro2016Início de funcionamento da rede especializada da APAV de apoio a crianças e jovens vítimas de violência sexual – Rede CARE (Atualmente APAV CARE - Apoio a Crianças e Jovens Vítimas de Violência Sexual)
    • 25 de julhoEdição do primeiro número da revista Miscellanea APAV
  27. 2017
    • 10 de maioAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima do Alto Alentejo Oeste com itinerância
    • 23 de maioAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Paços de Ferreira
    • 8 de setembroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Oeiras
    • Outubro de 2017Início de funcionamento do Serviço Integrado de Apoio à Distância (Linha de Apoio à Vítima + Messenger + Vídeo-chamada)
  28. 2018
    • 11 de dezembroReeleição de João Lázaro, Presidente da APAV, para a presidência do Victim Support Europe
    • 28 de dezembroProtocolo de Cooperação com Presidência do Conselho de Ministros, Ministério da Administração Interna, Ministério da Justiça, Ministério da Saúde e Ministério da Solidariedade e da Segurança Social – 2018-2020
  29. 2019
    • 2 de janeiroInício da coordenação da Linha Internet Segura e Linha Alerta
    • 30 de janeiroAPAV passa a integrar a INHOPE – uma rede global de serviços de denúncia para o combate ao abuso sexual online de crianças e jovens
    • 28 de maioAbertura dos Gabinetes de Apoio à Vítima dos DIAP de Braga e de Faro
    • junhoCriação da marca "Hora de SER® – Sensibilizar e Educar para os Relacionamentos" como nome do primeiro programa de prevenção desenvolvido pela APAV.
    • 9 de setembro2019Primeira edição do Prémio APAV para o Jornalismo
  30. 2020
    • abril de 2020/ maio de 2021Criação do CTAE – Centro Temporário de Acolhimento de Emergência para mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos menores, no âmbito das medidas públicas de combate à COVID-19
    • 26 de maioEleição de Carmen Rasquete, Secretária Geral da APAV, como Tesoureira do Victim Support Europe
    • 13 de dezembroEleição dos Órgãos Sociais para o quadriénio 2020-2023
    • 30 de dezembroAtribuição do Prémio APAV 2020 ao psicólogo Bruno Brito (1976-2020), a título póstumo
  31. 2021
    • 25 de maioLançamento do site Infovítimas Inclusivo
    • 15 de abrilAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Almada
    • 10 de novembroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Cadaval
  32. 2022
    • 25 de outubroAtribuição do Prémio APAV 2022 à Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica
  33. 2023
    • 15 de dezembro de 2023Eleição dos Órgãos Sociais para o quadriénio 2024 – 2027
  34. 2024
    • 22 de fevereiro de 2024Abertura do Gabinete de Apoio à Vítima de Mangualde
    • 1 de março de 2024Início de gestão pela APAV do Centro de Acolhimento e Proteção ALENTEJO para homens vítimas de Tráfico de Seres Humanos
    • 19 de março de 2024Abertura do GAV DIAP Setúbal
    • 7 de maio de 2024Abertura do GAV Peniche
    • Junho de 2024Abertura da Casa Penélope
  35. 2025
    • 15 de fevereiroAbertura do Gabinete de Apoio à Vítima do DIAP do Porto
    • 27 de julhoAbertura dos Serviços de Apoio à Vítima de Cascais
03

Evolução Histórica

Da Comissão Instaladora aos primeiros Órgãos Sociais

A APAV iniciou a sua atividade sob a direção de uma Comissão Instaladora (abre numa nova janela), de 1990 a 1994, ano em que se realizaram as primeiras eleições para a constituição dos seus órgãos sociais. Na primeira fase da sua vida, desenvolveu-se apostando em duas linhas concretas de ação: a criação e manutenção de uma rede mínima de Gabinetes de Apoio à Vítima (GAV), apoiada numa rede de voluntariado social, e a cooperação com as instituições públicas e privadas existentes.

Os Protocolos com o Governo e o Plano Estratégico

Em 1998, decorridos oito anos de existência e tendo cumprido os seus objetivos iniciais, atingiu-se, com a realização das segundas eleições para os órgãos sociais e com a assinatura do Protocolo de colaboração e financiamento com os Ministérios da Administração Interna, do Trabalho e da Solidariedade e da Justiça (Diário da República, n.º 247/98, II Série, de 26 de Outubro), a fase de maturidade da vida associativa, propiciando-se assim condições para o desenvolvimento e aprofundamento do projeto.

O 1.º Protocolo com o Governo da República Portuguesa foi assinalado a 10 de março de 1998 e teve a vigência de 5 anos – 1998 a 2002. No âmbito deste Protocolo, surge o primeiro Plano Estratégico da APAV (1998-2006), com vista à reorganização da Associação e à transição para um modelo estruturante e de funcionamento no novo contexto interinstitucional e político-financeiro proporcionado por este Protocolo.

O Plano Estratégico tornou-se um documento essencial para o planeamento do desenvolvimento da Associação, identificando e consagrando grandes metas a atingir num horizonte temporal entre 3 e 5 anos. Os objetivos aí estabelecidos são desenvolvidos na vigência anual de cada Plano de Atividades, de acordo com a Estratégia adotada. No Plano Anual de Atividades encontram-se as prioridades constantes e prioridades específicas de cada ano; já o Plano Estratégico revelou-se igualmente um valioso instrumento de gestão, de marketing e de política associativa.

A crise financeira de 2003-2005

Os anos de 2003 e 2004 foram caracterizados pela crise financeira vivida pela APAV devido à não renovação deste Protocolo. As negociações para a revisão e celebração do novo Protocolo de colaboração e financiamento com o Estado arrastaram-se sem sucesso durante os XV e o XVI Governos Constitucionais.

A gravidade da crise financeira obrigou a APAV, a 22 de fevereiro de 2005, por ocasião do Dia Europeu da Vítima de Crime, a anunciar publicamente que poderia encerrar até ao final do mês seguinte. A este apelo público, que mereceu grande e insistente atenção e acompanhamento por parte dos órgãos de comunicação social, de cidadãos anónimos e de assembleias municipais dos diversos concelhos onde existem Gabinetes de Apoio à Vítima, respondeu pronta e generosamente a Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Dra. Maria José Nogueira Pinto, que através da concessão de apoio financeiro no valor de 250.000€ permitiu que a Associação não fechasse as portas e se mantivesse em funcionamento até à celebração do Protocolo com o Governo da República Portuguesa em dezembro de 2005.

Retomado o processo de revisão do Protocolo com o XVII Governo Constitucional logrou-se, passados quase dez meses, celebrar a renovação do mesmo, através dos Ministérios da Administração Interna, da Justiça, e do Trabalho e da Solidariedade a 19 de dezembro de 2005, para os anos civis de 2005, 2006 e 2007.

Desde então, tem-se verificado uma sucessão quase contínua no tempo de Protocolo de Colaboração com o Governo da República que enquadra e define as grandes linhas de colaboração e articulação, os objetivos, o quadro financeiro e os mecanismos de reporte, prestação de contas e acompanhamento.

Reconhecimento

Para Manuel António Ferreira Antunes, Procurador-Geral Adjunto jubilado e também Associado Fundador da APAV, a condecoração é o “reconhecimento de uma instituição que traduz a vitalidade reforçada ao longo de anos de somatórios de atos de cidadania solidária, reforçando direitos e deveres e a dignidade cidadã como alicerce democrático. E ainda como reconhecimento da solidária generosidade intergeracional trazida todos os dias por todas as pessoas voluntárias, técnicos e associados de forma anónima, apenas confortados pelo que levam às pessoas e trazem à defesa da dignidade individual e ao exercício da cidadania ativa. E a Ordem da Liberdade é a que espelha bem o que a APAV melhor faz: defender a liberdade, defendendo a dignidade das pessoas.”

Para a realização da missão da APAV com a melhoria contínua do seu desempenho, o Plano Estratégico continua a privilegiar a inovação, a criatividade, a responsabilidade, a motivação dos recursos humanos, a formação, a qualidade, a permanente perspetiva multidisciplinar e as parecerias com outras instituições.